sexta-feira, setembro 09, 2011

Fernando Paço Borges - Artista Plástico e Poeta


VISITE TAMBÉM O SITE: http://www.fernandopacoborges.com/

Pinturas de 2009 a 2011






Fernando Paço Borges
Brasileiro, nascido no Rio de Janeiro em 15/01/1971
Formado em arquitetura pela universidade Santa Úrsula desde 1995, estudou pintura por 3 anos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV – RJ, e desde de 2004 se dedica também a literatura pela Oficina literária Estação das Letras no gênero poesia. Há 15 anos trabalha como profissional autônomo em seu próprio escritório-atelier, especializado em artes gráficas, ilustrações para arquitetura, design e publicidade. Publicou seu primeiro livro de poemas em 20 de setembro de 2007 chamado "Olhos de meio-dia", livro este bem recebido pela crítica ( ler no link comentários" do site de poemas). Em 2009 retoma o trabalho de pintura.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Debate sobre poesia - Estação das Letras.

Questões sobre poesia debatidas na oficina da Estação das Letras. Perguntas levantadas pelo poeta Carlito Azevedo de 26 de novembro a 03 de dezembro de 2008.
do site oficial: http://www.fernandopacoborges.com/


1. Carlito Azevedo: A sua produção poética atual já se dirige, em seu entendimento, para a feitura de um livro de poemas, ou você a considera como uma série de tentativas e experiências que:

a. Visam a "treinar" a mão e a mente, razão e sensibilidade, para a futura produção dos poemas que você pretende escrever;

b. Tentativas e experiências cuja coerência interna, que supostamente deve entranhar todo livro, você ainda não conseguiu vislumbrar, mas que surgirá menos de um esforço consciente do que de certo remanejamento que cada poema impõe ao conjunto em que é inserido;

c. Outros.

Fernando Paço Borges: A intenção de publicar existe. Escrevo poemas sem ter em mente um plano preestabelecido de unidade. Aleatoriamente, os poemas vão me indicando caminhos. O processo é complexo, exigindo constantes remanejamentos. Poemas que tematicamente podem ser díspares por um lado, por outro me agradam pela forma ou pela combinação de ritmos e idéias. A disposição mais harmoniosa, as releituras exaustivas, as críticas na oficina literária vão aos poucos me direcionando para uma possível publicação.

2. Carlito Azevedo: W. H. Auden costumava dizer que um poeta só é poeta no instante em que coloca o ponto final em um poema, pois antes disso é apenas um poeta " em potencial", e depois disso é "um sujeito que parou de escrever". Comente isso em relação à sua experiência com a criação poética.

Fernando Paço Borges: Um poema depois de um ponto final se torna mesmo algo dramático. É o vazio a ser preenchido pelo próximo poema, que não se sabe quando virá, se em um minuto, um dia ou um ano. E quando chega, novamente necessita de um outro ponto final. Assim por diante, num desassossego cíclico. Neste sentido um ponto final pode ser literalmente um ponto final ou a busca de uma reinvenção de si mesmo, ponto a ponto. Caminho esse longo, com o qual me identifico.

3. Carlito Azevedo: Uma história do poeta francês Max Jacob: ele leu uma entrevista do milionário Rockefeller onde este dizia que só se tornou o homem mais rico do mundo porque desde criança, a tudo o que via, a todos que conhecia, a cada sensação experimentada, a cada cálculo ou acidente fortuito, a tudo enfim com que deparava perguntava-se internamente: "como isso pode me tornar um sujeito ainda mais rico".A partir disso, Max Jacob comentou que se no campo das finanças isso pode não ser muito ético, no campo da poesia é maravilhosamente certeiro: a tudo o que nos ocorre ou deixa de ocorrer, permanecendo no paraíso perdido das possibilidades não cumpridas, a uma paisagem, a uma frase entreouvida, a uma determinada combinação de cores em local inesperado, a um momento especialíssimo ou totalmente rotineiro e banal, a uma notícia de jornal, a tudo isso devemos nos perguntar: como isso pode nos tornar um poeta ainda melhor? Pense em qualquer coisa que tenha visto, sentido ou ouvido, em qualquer situação insólita ou comum, que em nada lhe tenha despertado a vontade de escrever um poema ou desenvolver qualquer reflexão sobre poesia, e tente ver o que aquilo pode ter com a poesia que você quer escrever, de que modo aquilo pode torná-lo(a) um poeta ainda melhor.

Fernando Paço Borges: Penso que para o poeta tudo é matéria para desentranhar a poesia. O desafio é este, abrir o canal da percepção para as coisas menos importantes também. Por exemplo, observar uma fruta em cima de uma mesa pode ser tão proveitoso quanto fazer um passeio no bairro e presenciar um assassinato. Neste universo de possibilidades, o poeta pode extrair o seu melhor. Ele arrisca, capta um fato, obscuro ou claro, ético ou antiético, filtra a experiência, nobre ou banal, e por fim dá o seu registro de forma única e comovente. Tudo o que pode torná-lo um poeta ainda melhor é o combustível essencial que o move.

4. Carlito Azevedo: Qual pensa que é a melhor qualidade de sua poesia? E qual o defeito ou fraqueza contra o qual você mais tem que lutar na hora da criação, justamente por ser o que mais recorrentemente o atinge ou tenta atingir em seus escritos?

Fernando Paço Borges: Creio que uma qualidade que encontro em meus poemas está na criação de boas imagens. Busco aliar as melhores metáforas sempre a um texto mais simples e conciso. Quanto ao meu defeito este ocorre, algumas vezes, numa primeira idéia lançada em algum novo poema. Tomo cuidado, sempre que possível, para que o texto não resvale no campo do julgamento, no campo sentimental, ou na grandiloqüência.

5. Carlito Azevedo: Há lindos poemas obscuros , como esse:

Cristal( Paul Celan)

Não busques nos meus lábios a tua boca,
nem diante do portão o forasteiro,
nem no olho a lágrima.
Sete noites mais alto muda o vermelho para vermelho.
Sete corações mais fundo bate a mão à porta.
Sete rosas mais tarde rumoreja a fonte.

E há lindos poemas de absoluta clareza, como esse:

POEMAS SÓ PARA JAYME OVALLE ( Manuel Bandeira)

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já tivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei.
Bebi o café que eu mesmo preparei.
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...
- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

Então, em relação à sua produção poética e aos seus gostos poéticos, o que você diria:

a. A obscuridade, o mistério, o grau de inteligibilidade muito relativo são defeitos a evitar em nome de uma clareza mais democrática, de uma inclusão maior do leitor, que do outro modo se sente excluído do texto.

b. A obscuridade, o mistério, o grau de inteligibilidade muito relativo são uma necessidade absoluta para não baratear simploriamente uma experiência complexa, de caráter realmente mais tortuoso, afinal o poeta não está aqui pra resolver problemas para os outros, e sim para mostrar que a coisa mais simples pode conter em si megawatts de mistérios que só a automatização do nosso olhar nos impede de ver.

c. Outros.

Fernando Paço Borges: Eu procuro a simplicidade e a inclusão do leitor na experiência do texto. Busco na minha satisfação a sua identificação. Não condeno o obscuro nem a clareza. Creio que pode haver uma interessante mistura destes exercícios em um poema. O importante é a qualidade na combinação das palavras, cercadas de mistério, bons ritmos e boas idéias. Seja numa quebra sutil de um sentido, seja na escrita de um verso simples, coloquial, mais inteligível.

6. Carlito Azevedo: Segundo Baltasar Gracián, grande autor barroco espanhol, quando falamos de nós mesmos:

a. nos bajulamos (o que é idiota)
b. nos recriminamos ( o que é estéril)
c. ficamos logo sentimentais ( o que abre o portal para a pieguice);

sem discutir obrigatoriamente esses três pontos, como você pensa a utilização do "eu" na poesia, na sua poesia? Se puder termine seu comentário com exemplos analógico do gênero:

O "eu" na minha poesia age como um espião.
O "eu" na minha poesia está mais para o bandido que para o mocinho.
O "eu" na minha poesia entre o balé e a revolução, fica com o balé.

Fernando Paço Borges: O meu "eu" é um observador curioso a tudo o que é novo, inimaginável e impensado. Acho que me incluo na seara dos poetas espiões que ficam a espreita do imprevisível. Procuro, sem disfarce, ser nulo, um sujeito oculto, sem ser visto como um bandido, mocinho, revolucionário ou amante de balé. Fico com a nulidade que oferece as melhores lupas aos poetas.

7. Carlito Azevedo: Ezra Pound dizia que a maior qualidade que encontrava em um poeta era a sua curiosidade. Quando procurado por poetas estreantes, colocava sua confiança menos naqueles que já porventura demonstravam alguma habilidade técnica ou algum poema plenamente realizado, e mais naquele que mesmo que não apresentasse a princípio nenhum texto digno de nota, mostrava-se o mais curioso em relação às coisas. Sua recomendação aos poetas era: "Curiositas". Inclusive pela poesia. Mais do que aquele jovem que apresentou um bom poema, Pound apostava naquele que mais suava frio ao saber que ia ser lançado um novo volume com traduções da poesias de François Villon, e que dormiria mal até o dia seguinte, quando correria para a livraria atrás do volume querido, o que me lembra muito essa estrofe de Wallace Stevens:

Um poema como um missal achado
na lama, um missal para esse moço

o estudante que mais arde por aquele
livro exato, ou menos, uma página,

ou pelo menos uma frase, aquela frase,
gavião de vida, aquela frase latinada:

saber; missal para ruminar. Olhar
nos olhos do gavião e recuar

não do olho, mas do prazer de vê-lo.
Eu toco, mais isso é que eu penso.

( " O Homem de violão azul")


Lembre de uma ocasião em que um livro foi lançado, uma exposição inaugurada, um filme ou peça entrou em cartaz, qualquer coisa assim, que tenha te deixado num estado desses, achando que ver aquilo era mais importante do que quase tudo. Falta de curiosidade para um poeta é igual a quê?

Fernando Paço Borges: Tenho fascínio por tudo que envolve a criação de imagens na arte. Falta de curiosidade artística, em geral, não faz sentido a quem pretende escrever poemas. Ver um quadro de Velásquez, Edward Hopper, um filme de Wood Allen, um romance gráfico de Will Eisner, uma arquitetura de Richard Meier, ler os poemas de Ferreira Gullar, de Manuel Bandeira, Drummond são experiências irreversíveis e transformadoras do meu olhar sobre o mundo. Cada vez que eu vejo uma grande obra, seja na poesia, na pintura, no cinema, nos quadrinhos, na arquitetura, tenho a sensação de que tudo já fora eficientemente criado. Neste sentido, o poeta deve se inteirar a outras formas de linguagem. Se informar sempre, para não cair um dia no engano, na obviedade, ou no pastiche.

8. Carlito Azevedo: De um poema, o que se pode esperar?
a. a verdade?
b. o entretenimento?
c. Um pensamento?
d. Uma lição de vida?
e. Coisas mais abstratas como: que aumente nossas dúvidas em vez de nossas certezas? f. Compare uma viagem que fez a um lugar distante e as impressões que trouxe de lá, com o mergulho fundo em um poema e as impressões que traz dele.

Fernando Paço Borges: Um poema é um registro novo de linguagem, uma reinvenção sobre algum pensamento desassossegado, ou um arroubo estético (seja vindos do mundo real ou imaginário) para no fim alcançar um sentido simbólico. Se o poeta esbarra na verdade, no entretenimento, no pensamento, não há fórmulas. Acredito que um bom poeta trabalhará sempre com a sua matéria-prima fundamental, a incerteza. Abaixo segue um poema extraído de uma viajem que fiz a Nova Iorque. Poema com imagens que poderiam se repetir em qualquer lugar do mundo. Tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas.






Notas subterrâneas:

Uma gorda deforma
a América no peito.


Sua beleza
levará 450 anos para se decompor.


Sob o vermelho do cabelo,

íris de sonhos inaudíveis
lêem o jornal alheio.


Ao lado das más notícias,
entre seios e anseios,
uma idosa masca uma goma inexistente.

A única certeza às 18:30h:
Executivos são lebres hipertensas.

Na estação seguinte a gorda salta
e deixa cair seu lenço fluorescente.


A queda do lenço paralisa o trem.
Depois o metrô retoma o seu funcionamento.


Do imenso segundo
tudo parece adiante um novo caminho.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Lançamento do meu livro de poemas Olhos de meio-dia



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Comentários de escritores sobre o livro:




Meu prezado Fernando:
Sua poesia - límpida, lúdica e sempre bem "arquitetada" - foi para mim uma grata
surpresa. Há em "Olhos de meio- dia" poemas que eu gostaria de ter assinado, como,
entre outros, "Momento" ou "O que a tarde tem?". Creio que você aprendeu bem -
e com inequívoca autonomia de estilo - as lições dos mestres com os quais conviveu
durante dois anos na Estação das Letras, tão a custo mantida por essa extraordinária
amiga e escritora que é Suzana Vargas. Abraço afetuoso do seu Ivan Junqueira.

Ivan Junqueira - (Imortal e ex-presidente da ABL)
enviou carta manuscrita do texto acima. Carta enviada no dia 12/09/2007




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Caro poeta Fernando Paço Borges:
Recebi seu belo livro. Grato. Revela o sotaque próprio que é a digital do verdadeiro
poeta e a vocação indeclinável da metamorfose - o que faz variar da forma e metros de
luz.Há riquíssimos achados verbais em relâmpago: "Poesia em pêlo", "Poema hermético",
"Traça livros", "Um nome", "Bendito é o fruto", e outras - poesias de grávida invenção:
"Beijo de língua, "Vela" e "Bem escondida". Gostei de sua poesia que trabalha silêncios,
sinuosidades, ironias, formas ousadas e livres. Bem-vindo! Fraternalmente,

Carlos Nejar -(Imortal da ABL) - enviou carta manuscrita do texto acima.
Carta enviada no dia 01/10/2007



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Caro Fernando:
Finalmente pude ler o seu livro, uma bela estréia. Você está atento para a poesia
contemporânea em toda a sua pluralidade, e está dialogando com ela com inteligência
e apuro. Destaco o bom uso das rimas irregulares e dos metros curtos.
Parabéns, e siga em frente. Um abraço.

Paulo Henriques Britto
E-mail enviado no dia 15/10/2007 ás 8:27h









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Caro Fernando. Boa a sua poesia : Acordar, dormir com o Pai Nosso, fabricar
mais um dia, remir mais uma noite...É isso mesmo e assim também me sinto.
Parabéns pela estréia. Totalmente já imersa na Bienal, não poderei estar
nos seus autógrafos, mas guardarei uma bela lembrança do seu primeiro livro.
Saudações poéticas.

Neide Archanjo
E-mail enviado no dia 10/09/2007 ás 10:59h










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Parabéns, Fernando. Gostei de vários poemas - "De Giovanna", "Supremo artista",
"Poema hermético", entre outros. E vi, nos agradecimentos, apenas nomes de
amigos: Adriano, Affonso, Marco e Suzana. Um abraço, Secchin.

Antonio Carlos Secchin

E-mail enviado no dia 05/09/2007 ás 11:19h


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Eu estava mesmo para lhe escrever, mas ando meio enredado em compromissos,
acabei deixando para depois etc. Mas não podia deixar de lhe dar parabéns.
Seu livro é um dos melhores livros que tenho recebido. Você é realmente um poeta,
o que é raro. Um grande abraço, Antonio Cicero

Antonio Cicero

E-mail enviado no dia 27/11/2007 ás 2:57h


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É isso aí, Fernando, a divulgação é fundamental. Aproveito para lhe dizer que seu
livro me interessou, sim, acho você um poeta que trabalha com seriedade,
reflexão, sentimento. Vivo cansado de ver tanta bobagem ser chamada
de poesia, o seu livro vai na contramão dessas facilidades. Um abraço grande,
felicidades no lançamento.

 

Ruy Espinheira Filho
E-mail enviado no dia 20/09/2007 ás 11:47h


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Fernando Paço Borges se decide por uma poesia clara, direta, na
meditação metade encantada e metade desencantada com as coisas
que nos cercam. A ironia reúne o que seria disperso entre aqueles
dois hemisférios, o frio de quem desconfia e o calor de quem adere às
coisas que alcança. Clarice está num de seus versos, com aquela
sua condição de força e de irreversibilidade. A vida é irreversível.
Mas a visão do mesmo modo. E a poesia há de guardar a carga
maior daquele centro de imagens sem reversão. Aí estava Fernando
e a sua poesia de luz e sombra.



Marco Lucchesi


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"Olhos de meio-dia é um livro extremamente bem cuidado com
aquele bom gosto que caracteriza o verdadeiro artista.
Esse bom gosto, é claro, se estende naturalmente p/ os poemas"

Adriano Espínola



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"Fernando Paço Borges usa o verso com liberdade visual, sabe fazer
os jogos sonoros e tem algo a dizer."


Affonso Romano de Sant´Anna

Saiu no JB Online de 19/09/2007 - Matéria sobre o lançamento do livro Olhos de meio-dia.


Fernando Paço Borges apresenta uma poesia sincera e contagiante
Bruno Machado, Agência JB

RIO - Amantes da poesia contemporânea gravem este nome: Fernando Paço Borges. O carioca com jeito de mineiro lança nesta quinta-feira, dia 20, seu primeiro livro, "Olhos de meio-dia". Trata-se de uma coletânea de 64 poesias lapidadas ao longo de três anos que tornam o autor íntimo do leitor e colocam Borges no altar daqueles que sabem encantar com as palavras.Lançado pela Ibis Libris Editores, "Olhos de meio-dia" levou três meses para ser impresso, tudo feito com muito cuidado e carinho. Borges fez até a ilustração de capa, participou de todos os detalhes da publicação, que homenageia a mãe e dedica à companheira, Giovanna, sem a qual, segundo ele, não haveria poesia. O trabalho de Borges é o resultado da obra de um artista que permanece criando imagens. O autor estudou pintura, é arquiteto de formação e mergulhou nos seus poemas incentivado por ninguém mais, ninguém menos, que Affonso Romano de Sant'Anna. Aos 36 anos, dono de uma poesia sincera e visual, influenciada por Bandeira, Drummont, Baudelaire, entre outros, Borges também bebeu na fonte de Sant'Anna e outros professores da Oficina Literária da Estação das Letras, que o incentivaram neste lançamento e assinam generosos comentários na orelha da obra. Inspirado no cotidiano e livre de vícios criativos, Borges trabalha com computação gráfica para projetos arquitetônicos e faz suas poesias por necessidade.
– Escrever é a minha catarse, que pode surgir a qualquer momento, olhando pela janela ou cortando o pão pela manhã. Não conseguiria mais viver sem a poesia – confessa o autor que admite estar ansioso para ver a reação dos leitores.
– Não quero fazer sucesso. Quero que as pessoas gostem – afirma Borges.
Quase sempre falando da vida, Borges conta sua história nas poesias que escreve.
– Estou dando a cara. Na poesia é assim, ela nos desnuda, mas estou confiante. Todos os textos foram colocados à prova nas Oficinas Literárias e aprovados pela editora – diz o autor, que está encantado com a nova realidade. Participando de saraus pela cidade e recebendo elogios por onde passa.
Borges já planeja o próximo livro.
- Terá uma poesia mais popular, coloquial. Será inspirado num objeto, mas ainda não posso falar o nome – sorri o poeta, que escolheu o jardim da Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, para falar sobre a própria obra. Os amantes da poesia que puderem comparecer ao coquetel de lançamento, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, na próxima quinta-feira, às 19h30, irão assistir a leitura dramatizada dos poemas e poderão adquirir o livro autografado.
Sobre o livro: ISBN: 978-85-89126-98-4 / 80 páginas / 14x21 cm / R$ 30.
www.ibislibris.com.br

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Publicações de Poesia em 2006 e 2007



 Publicação de alguns poemas meus de 2006 e início de 2007.




Revista Poesia Sempre 21
Publicação trimestral da Biblioteca Nacional.
Edição 2005, publicação agosto de 2006

Poemas Publicados nesta revista:



1- Foto


O fotógrafo que desfocou a placidez
de minha infância não foi capaz de
deixar o amor menos nítido.

O preto-e-branco deixou
cores na memória.

Não lembro o cerúleo celeste,
se a mãe vibrava em cádmio,

se era mesmo cinza nosso sorriso,
ou amizade dourada de irmão.

Não lembro mais o tom da inocência.

E se tudo fora esmaecido pelo tempo,
pouco me importa.

Vejo que desta prisão de luz e sombra
algo aconteceu oculto na imperecível
alegria do instante.






2- Teu azul


Nado em ondas turquesas
que rebentam em teus olhos,

quando amas.

Mergulho na volúpia marinha,
de tua boca na minha,

quando desejas.

E sempre transborda de azul
o teu corpo que afaga

e naufraga em mim.







3- De novo o último dia

Um peito de aço arremessou
para dentro de casa
o imponderável.

No asfalto meu pai fora
vencido pela velocidade.

Desde o último dia
seu silêncio em decúbito,

ainda me faz tropeçar
saudade.




Antologia de poetas Contemporâneos em Fevereiro de 2006.
Câmara Brasileira de Jovens escritores
Poema Publicado:
O Nada



Antologia Arte Bahia Janeiro de 2007.
Concurso Nacional. 50 poetas finalistas
Poema Publicado:
- Ébrio Equilíbrio


Fernando Paço Borges - O retorno

Olá Pessoal voltei a atualizar o meu blog de poesias.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Opinião - Affonso Romano Santanna

Amigos

Quero compartilhar a minha felicidade com vocês de ter recebido um breve elogio por e-mail do Affonso Romano de Santanna, conhecido escritor e poeta, e também colunista do jornal o globo no Caderno Prosa e Verso, segue a curta resposta sobre as poesias que lhe enviei para saber sua opinião. Mandei sem compromisso, na verdade morrendo de medo de uma crítica negativa, mas valeu a pena...foi uma resposta curta mas de grande estímulo pra mim...

Rio 13/10/2004 ás 15:43h
Meu caro, você sabe das coisas, esses poemas não são de principiante. Você é do ramo. E dos bons.
Abraços,
Affonso R. Santanna

sexta-feira, outubro 08, 2004

Reflexão sobre a Arte - Por Fernando Paço

Arte

Não vou começar este texto com as perguntas; O que é arte? Qual é sua função?Fica parecendo livro didático, ensaio crítico, não quero isso. Digo porque as definições são muitas, há milhares de livros sobre. Li um muito interessante, aliás um bom livro do crítico Frederico Morais sobre o tema, cujo título é “Arte é o que eu e você chamamos arte”, se não me engano foi Duchamp quem disse esta frase, posso estar enganado. Enfim, muitos creditam a Duchamp o status de gênio, papa do século passado, baseados nos seus polêmicos discursos transgressores.Será mesmo? Bom, não entrarei na análise do indivíduo, partindo do particular para uma visão geral. Não falarei de Duchamp, entretanto este interessante livro comporta nada mais nada menos que oitocentas definições, percorrendo dois mil anos de história, nas palavras de artistas, filósofos, críticos, arquitetos e até internos psiquiátricos sobre o tema. Ao final Frederico confessa, dos seus 40 anos como crítico de arte, que chegara a conclusão de que também não sabe mais o que é arte.

Meus amigos, se um crítico deste calibre chega a tal conclusão me parece sensato dizer então que a arte é na essência o “indefinido”, defini-lá é um desafio, porque todos temos pelo menos algumas pré-definições do que venha a ser, todos acham ser isso ou aquilo, porém ninguém chega a um consenso. Ou será que precisamos também de um consenso sobre arte? Do tipo, arte é isso? Talvez essa idéia esteja refletida em muitos momentos da história, como aconteceu aos chamados estilos, seguidos pelos manifestos, e pelos “ismos”. Curiosa também é a postura de quebra constante destes movimentos, um transgredindo o outro sucessivamente. Agora, chega num ponto em que transgredir o transgressor torna-se algo um tanto ambíguo, pois você terá que retornar ao que era, para se contrapor ao trangressor.Exemplo: O dadaísmo – a antiarte, para transgredi-la imagino que tenhas que fazer arte. Não faz sentido? Que confusão, não?

Não há um pensamento uno, direcionado e nem tendências que definam a arte, ela se transforma de acordo com seu tempo, hoje ela é, amanhã não é mais, e assim se perpetua. Viajando no tempo em busca de sua remota origem, a arte surge a partir do momento em que “aquele alguém” grava com sangue as primeiras e mais intrigante das manifestação artísticas já feitas, as pinturas rupestres. Ali está registrado o ínicio, nada antecede aquele ato, sendo o primata “ aquele alguém” o legítimo criador deste inexplicável fenômeno mutante que é a arte.

quarta-feira, outubro 06, 2004


Projeto casa virtual - por Fernando Paço /www.fernandopaco.arq.br Posted by Hello

Projeto casa virtual - por Fernando Paço /www.fernandopaco.arq.br Posted by Hello

Poemas - Por Fernando Paço

Sexo
A pele é o contorno de toda a carne
Trêmula quando afagas
e eu quedo quando me despes.
Os centímetros são longos
quando beijas até minha língua.
Aperto com o suor quente
de tuas entranhas, o falo.
Falo obscenidades bem de perto
Atrás da tátil sensação de gozo
E então busco mais
O prazer que arranha e nos desfigura
Com a força bruta
de nossa ancestral e animal natureza





Mais grana

Gana gangrena cerebral
Podre o poder das cédulas,
a grama ruminada da bocarra.
Agarra a grana na marra
com amarras e sovinas.
E essa mão cerrada, sangrando
Sem dar e receber
Ama a grana, insana.


A chuva

É tarde, uma gota dágua. Ritmo, quietude.
Som de uma breve noite eterna.
É tarde, a chuva. Rasgam e ferem o ar,
retilíneas, obliquas.
Mais tarde, muitas gotas. Ruídos, fúria.
E aquela primeira bem perto de mim, ainda compõe.





Texto enviado pelo amigo Ricardo Castello Branco
Enviado 08/10/2004


Vida
Acho que é acordar, respirar e ir dormir.
Acho que são muitos"achos".
O "talvez" talvez seja a forma mais correta de sugerir o que "talvez" seja a vida.
É formada por um dia depois do outro.
Depende do olhar entre as pessoas ou o sentir entre elas.
Nela está o nascer, o crescer e o morrer. A morte também faz parte da vida. Da mesma forma que a derrota faz parte do jogo.
A vida é entender o próximo, é entender os processos, o sistema, o tempo.
Tudo tem seu tempo e o tempo também pode ter tudo, ou quase tudo.
Às vezes preciso afirmar coisas que se realmente não fosse preciso, não afirmaria. Tudo pode ser muito relativo. Como já dizia a Física e um professor meu.
A religião, o esporte, a arte, a opção sexual são temas que envolvem o talvez.
Nada deve ser considerado absurdo quando pode ser visto ou analisado por culturas diferentes, povos diferentes, cabeças diferentes. Tudo pode.
A vida não espera por ninguém nem por nada.
Não devemos esperar da vida, das pessoas, das coisas.
Talvez possamos esperar que tudo possa acontecer completamente contrário ao que esperamos.
Nossa forma de amar, de expressar, de atuar é diferente da dos outros. A vida de cada um pertence a cada um.
Os gostos são diferentes, os pensamentos são diferentes, as bundas são diferentes.
As idéias mudam de pessoa para pessoa e também dentro da própria pessoa.
O Sol de hoje é diferente do sol de amanhã.
A vida me faz ter vontade de escrever sobre ela.
O difícil é parar...

Ricardo Castello Branco



Texto enviado pelo amigo Beto Vandesteen
Enviado 08/10/2004
O Código do Guerreiro
Quero respostas... procuro por respostas... preciso de respostas... RESPOSTAS!
Mas são tantas as perguntas! Cada qual com sua resposta... Talvez eu me satisfizesse simplesmente com algumas, que me dessem a paz de que preciso para esperar pelas outras, ou para chegar, sozinho, a algumas conclusões que as fizessem desnecessárias. Mas nenhuma delas aparece diante de mim, por mais nenhuma delas aparece diante de mim, por mais que eu me esforce, por mais que eu grite aos céus a plenos pulmões. Tudo parece dúbio, suspenso no ar, etéreo... como num sonho do qual não se consegue acordar e vislumbrar a realidade, que por pior que possa parecer aos olhos de um sonhador, é mais justa do que qualquer bela ilusão intangível. Estou cansado, meus olhos não suportam mais a espera e meu espírito teme mais uma queda. Não seria a primeira e provavelmente não seria a última delas, mas o que a torna mais dolorosa é a falta das malditas repostas! A incapacidade de fazer como todos os outros, e passar por cima das dúvidas e dos anseios do próprio peito, sufocando seus gritos com um falso sorriso e mascarando seus ferimentos com falsos curativos... Por que não sou capaz de fingir? Isso seria um excelente anestésico para todas as dores. Mas o velho guerreiro não pode usar de subterfúgios tão covardes... Não seria “honrado”, mesmo vivendo em um mundo onde não se sabe sequer o que é a honra... simplesmente não posso.
Por isso sigo perdido... sozinho..agarrado a meu próprio código ao qual só eu jurei lealdade... lealdade eterna e solitária regada ás lágrimas de um guerreiro.
Sigo perdido... á espera de uma resposta...

FOGO EM MINHA CABEÇA, FORÇA EM MEUS BRAÇOS, VERDADE EM MEU CORAÇÃO E COERÊNCIA EM MINHAS PALAVRAS!