sexta-feira, outubro 08, 2004

Reflexão sobre a Arte - Por Fernando Paço

Arte

Não vou começar este texto com as perguntas; O que é arte? Qual é sua função?Fica parecendo livro didático, ensaio crítico, não quero isso. Digo porque as definições são muitas, há milhares de livros sobre. Li um muito interessante, aliás um bom livro do crítico Frederico Morais sobre o tema, cujo título é “Arte é o que eu e você chamamos arte”, se não me engano foi Duchamp quem disse esta frase, posso estar enganado. Enfim, muitos creditam a Duchamp o status de gênio, papa do século passado, baseados nos seus polêmicos discursos transgressores.Será mesmo? Bom, não entrarei na análise do indivíduo, partindo do particular para uma visão geral. Não falarei de Duchamp, entretanto este interessante livro comporta nada mais nada menos que oitocentas definições, percorrendo dois mil anos de história, nas palavras de artistas, filósofos, críticos, arquitetos e até internos psiquiátricos sobre o tema. Ao final Frederico confessa, dos seus 40 anos como crítico de arte, que chegara a conclusão de que também não sabe mais o que é arte.

Meus amigos, se um crítico deste calibre chega a tal conclusão me parece sensato dizer então que a arte é na essência o “indefinido”, defini-lá é um desafio, porque todos temos pelo menos algumas pré-definições do que venha a ser, todos acham ser isso ou aquilo, porém ninguém chega a um consenso. Ou será que precisamos também de um consenso sobre arte? Do tipo, arte é isso? Talvez essa idéia esteja refletida em muitos momentos da história, como aconteceu aos chamados estilos, seguidos pelos manifestos, e pelos “ismos”. Curiosa também é a postura de quebra constante destes movimentos, um transgredindo o outro sucessivamente. Agora, chega num ponto em que transgredir o transgressor torna-se algo um tanto ambíguo, pois você terá que retornar ao que era, para se contrapor ao trangressor.Exemplo: O dadaísmo – a antiarte, para transgredi-la imagino que tenhas que fazer arte. Não faz sentido? Que confusão, não?

Não há um pensamento uno, direcionado e nem tendências que definam a arte, ela se transforma de acordo com seu tempo, hoje ela é, amanhã não é mais, e assim se perpetua. Viajando no tempo em busca de sua remota origem, a arte surge a partir do momento em que “aquele alguém” grava com sangue as primeiras e mais intrigante das manifestação artísticas já feitas, as pinturas rupestres. Ali está registrado o ínicio, nada antecede aquele ato, sendo o primata “ aquele alguém” o legítimo criador deste inexplicável fenômeno mutante que é a arte.

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