quarta-feira, outubro 13, 2004

Opinião - Affonso Romano Santanna

Amigos

Quero compartilhar a minha felicidade com vocês de ter recebido um breve elogio por e-mail do Affonso Romano de Santanna, conhecido escritor e poeta, e também colunista do jornal o globo no Caderno Prosa e Verso, segue a curta resposta sobre as poesias que lhe enviei para saber sua opinião. Mandei sem compromisso, na verdade morrendo de medo de uma crítica negativa, mas valeu a pena...foi uma resposta curta mas de grande estímulo pra mim...

Rio 13/10/2004 ás 15:43h
Meu caro, você sabe das coisas, esses poemas não são de principiante. Você é do ramo. E dos bons.
Abraços,
Affonso R. Santanna

sexta-feira, outubro 08, 2004

Reflexão sobre a Arte - Por Fernando Paço

Arte

Não vou começar este texto com as perguntas; O que é arte? Qual é sua função?Fica parecendo livro didático, ensaio crítico, não quero isso. Digo porque as definições são muitas, há milhares de livros sobre. Li um muito interessante, aliás um bom livro do crítico Frederico Morais sobre o tema, cujo título é “Arte é o que eu e você chamamos arte”, se não me engano foi Duchamp quem disse esta frase, posso estar enganado. Enfim, muitos creditam a Duchamp o status de gênio, papa do século passado, baseados nos seus polêmicos discursos transgressores.Será mesmo? Bom, não entrarei na análise do indivíduo, partindo do particular para uma visão geral. Não falarei de Duchamp, entretanto este interessante livro comporta nada mais nada menos que oitocentas definições, percorrendo dois mil anos de história, nas palavras de artistas, filósofos, críticos, arquitetos e até internos psiquiátricos sobre o tema. Ao final Frederico confessa, dos seus 40 anos como crítico de arte, que chegara a conclusão de que também não sabe mais o que é arte.

Meus amigos, se um crítico deste calibre chega a tal conclusão me parece sensato dizer então que a arte é na essência o “indefinido”, defini-lá é um desafio, porque todos temos pelo menos algumas pré-definições do que venha a ser, todos acham ser isso ou aquilo, porém ninguém chega a um consenso. Ou será que precisamos também de um consenso sobre arte? Do tipo, arte é isso? Talvez essa idéia esteja refletida em muitos momentos da história, como aconteceu aos chamados estilos, seguidos pelos manifestos, e pelos “ismos”. Curiosa também é a postura de quebra constante destes movimentos, um transgredindo o outro sucessivamente. Agora, chega num ponto em que transgredir o transgressor torna-se algo um tanto ambíguo, pois você terá que retornar ao que era, para se contrapor ao trangressor.Exemplo: O dadaísmo – a antiarte, para transgredi-la imagino que tenhas que fazer arte. Não faz sentido? Que confusão, não?

Não há um pensamento uno, direcionado e nem tendências que definam a arte, ela se transforma de acordo com seu tempo, hoje ela é, amanhã não é mais, e assim se perpetua. Viajando no tempo em busca de sua remota origem, a arte surge a partir do momento em que “aquele alguém” grava com sangue as primeiras e mais intrigante das manifestação artísticas já feitas, as pinturas rupestres. Ali está registrado o ínicio, nada antecede aquele ato, sendo o primata “ aquele alguém” o legítimo criador deste inexplicável fenômeno mutante que é a arte.

quarta-feira, outubro 06, 2004


Projeto casa virtual - por Fernando Paço /www.fernandopaco.arq.br Posted by Hello

Projeto casa virtual - por Fernando Paço /www.fernandopaco.arq.br Posted by Hello

Poemas - Por Fernando Paço

Sexo
A pele é o contorno de toda a carne
Trêmula quando afagas
e eu quedo quando me despes.
Os centímetros são longos
quando beijas até minha língua.
Aperto com o suor quente
de tuas entranhas, o falo.
Falo obscenidades bem de perto
Atrás da tátil sensação de gozo
E então busco mais
O prazer que arranha e nos desfigura
Com a força bruta
de nossa ancestral e animal natureza





Mais grana

Gana gangrena cerebral
Podre o poder das cédulas,
a grama ruminada da bocarra.
Agarra a grana na marra
com amarras e sovinas.
E essa mão cerrada, sangrando
Sem dar e receber
Ama a grana, insana.


A chuva

É tarde, uma gota dágua. Ritmo, quietude.
Som de uma breve noite eterna.
É tarde, a chuva. Rasgam e ferem o ar,
retilíneas, obliquas.
Mais tarde, muitas gotas. Ruídos, fúria.
E aquela primeira bem perto de mim, ainda compõe.





Texto enviado pelo amigo Ricardo Castello Branco
Enviado 08/10/2004


Vida
Acho que é acordar, respirar e ir dormir.
Acho que são muitos"achos".
O "talvez" talvez seja a forma mais correta de sugerir o que "talvez" seja a vida.
É formada por um dia depois do outro.
Depende do olhar entre as pessoas ou o sentir entre elas.
Nela está o nascer, o crescer e o morrer. A morte também faz parte da vida. Da mesma forma que a derrota faz parte do jogo.
A vida é entender o próximo, é entender os processos, o sistema, o tempo.
Tudo tem seu tempo e o tempo também pode ter tudo, ou quase tudo.
Às vezes preciso afirmar coisas que se realmente não fosse preciso, não afirmaria. Tudo pode ser muito relativo. Como já dizia a Física e um professor meu.
A religião, o esporte, a arte, a opção sexual são temas que envolvem o talvez.
Nada deve ser considerado absurdo quando pode ser visto ou analisado por culturas diferentes, povos diferentes, cabeças diferentes. Tudo pode.
A vida não espera por ninguém nem por nada.
Não devemos esperar da vida, das pessoas, das coisas.
Talvez possamos esperar que tudo possa acontecer completamente contrário ao que esperamos.
Nossa forma de amar, de expressar, de atuar é diferente da dos outros. A vida de cada um pertence a cada um.
Os gostos são diferentes, os pensamentos são diferentes, as bundas são diferentes.
As idéias mudam de pessoa para pessoa e também dentro da própria pessoa.
O Sol de hoje é diferente do sol de amanhã.
A vida me faz ter vontade de escrever sobre ela.
O difícil é parar...

Ricardo Castello Branco



Texto enviado pelo amigo Beto Vandesteen
Enviado 08/10/2004
O Código do Guerreiro
Quero respostas... procuro por respostas... preciso de respostas... RESPOSTAS!
Mas são tantas as perguntas! Cada qual com sua resposta... Talvez eu me satisfizesse simplesmente com algumas, que me dessem a paz de que preciso para esperar pelas outras, ou para chegar, sozinho, a algumas conclusões que as fizessem desnecessárias. Mas nenhuma delas aparece diante de mim, por mais nenhuma delas aparece diante de mim, por mais que eu me esforce, por mais que eu grite aos céus a plenos pulmões. Tudo parece dúbio, suspenso no ar, etéreo... como num sonho do qual não se consegue acordar e vislumbrar a realidade, que por pior que possa parecer aos olhos de um sonhador, é mais justa do que qualquer bela ilusão intangível. Estou cansado, meus olhos não suportam mais a espera e meu espírito teme mais uma queda. Não seria a primeira e provavelmente não seria a última delas, mas o que a torna mais dolorosa é a falta das malditas repostas! A incapacidade de fazer como todos os outros, e passar por cima das dúvidas e dos anseios do próprio peito, sufocando seus gritos com um falso sorriso e mascarando seus ferimentos com falsos curativos... Por que não sou capaz de fingir? Isso seria um excelente anestésico para todas as dores. Mas o velho guerreiro não pode usar de subterfúgios tão covardes... Não seria “honrado”, mesmo vivendo em um mundo onde não se sabe sequer o que é a honra... simplesmente não posso.
Por isso sigo perdido... sozinho..agarrado a meu próprio código ao qual só eu jurei lealdade... lealdade eterna e solitária regada ás lágrimas de um guerreiro.
Sigo perdido... á espera de uma resposta...

FOGO EM MINHA CABEÇA, FORÇA EM MEUS BRAÇOS, VERDADE EM MEU CORAÇÃO E COERÊNCIA EM MINHAS PALAVRAS!

terça-feira, outubro 05, 2004

Reflexão sobre trabalho e dinheiro - por Fernando Paço

“O único lugar onde a palavra dinheiro vem antes do trabalho é no dicionário”. A frase resume bem a relação que há entre o valor do dinheiro e sua fonte geradora, a labuta. É salutar imaginar evidentemente que dinheiro só se conquista com suor e neurônios, uma forma digna de merecimento, mas também há os que conquistam sem precisar levantar um dedo. Qual é sua posição em relação ao dinheiro e ao trabalho? Como você lida com estes valores?
Analisemos primeiro o cenário contemporâneo em que vivemos, o nosso complexo mundo, globalizado, vertiginosamente tecnológico, competitivo, onde mercado e informação são os deuses onipresentes da nova era, a comunicação, a mídia (já estou cansado desta banalizada palavra), e o marketing como ferramentas poderosas de formação, ou deformação, da sociedade. Agora analisemos você, um indivíduo, na sua mais ínfima presença, desde o nascimento a procura de uma identidade, sozinho, inquieto diante do próprio questionamento, de onde viemos para onde vamos, complexo, e sempre indefinido, acredito até o fim da vida, pois não somos seres estanques e sim mutantes. Pois bem, nos coloquemos neste mundo e indaguemos como nos relacionamos com ele, com o nosso trabalho e o dinheiro.

Existem diversas formas de lidarmos com esta tríade, para muitos o mundo está perdido, para outros haverá sempre esperança, enquanto uns acreditam no fim, outros defendem o progresso. Em relação ao trabalho e dinheiro também há contrapontos; falta de interesse para muitos, interesses ao extremo para outros (vide os workaholics), os explorados demasiadamente, e os incentivados, e por aí vai. Não estou entrando no mérito da grave questão do desemprego no mundo, o que daria pano para manga para outra reflexão, mas sim para uma analise sobre a população economicamente ativa e sua relação com a produção e o meio em que vive. Desemprego e falta de dinheiro merecem ser analisados com maior relevância em outro momento.

Portanto, o trabalho é encarado de distintas formas. Acredito que a grande maioria encara o modelo de trabalho a sua forma mais burocrática, com regras e horários rígidos, relações hierarquizadas, centralizadas, organizadas em padrões bem definidos, enfim é o paradigma vigente nas grandes corporações e multinacional, e também em diversos setores de produção, talvez seja um ranço de modelos anteriores. Claro que há exceções, mas a idéia dominante de se ter um trabalho deste tipo está associado diretamente ao seu maior objetivo: Ascensão econômica e status. Você é aquilo o que você produz. Quero me enquadrar no modelo, competir e vencer. Ser é ter.

Por outro lado, ampliando as possibilidades desta analise, imagino que o trabalho deva ser encarado de forma mais flexível, sem separações de tempo, espaço e convívio humano, e sim agregar o próprio trabalho, ao estudo, ao lazer, simultaneamente, privilegiando o tempo livre, as amizades, as atividades lúdicas com responsabilidades inerentes. Parece-me algo utópico, pode ser, mas não impossível.

Como conseqüência ambos geram evidentemente riquezas. Cabe, portanto, distinguirmos o significado desta palavra para cada situação. Para um capitalista, a riqueza se limita ao dinheiro tão somente. O parâmetro é o acúmulo. Sua avidez pelo dinheiro é doentia, beira a insanidade. Não que o dinheiro seja algo “sujo” não é esta a questão, mas torná-lo o centro é o problema. Já para outros o dinheiro é um meio, utilizado para se chegar à riqueza: acesso maior a cultura, arte, criação, desenvolvimento do conhecimento, troca de informações, ampliação do convívio humano e das amizades. Enfim, seu maior patrimônio é o crescimento pessoal e intelectual, o importante é ser, e não ter.